Novos caminhos para a cobrança por conteúdo

Não houve muito barulho, mas as últimas semanas foram de novidades que prometem mexer bastante com o mercado de conteúdo jornalístico. Google e Apple anunciaram produtos que enchem de esperanças as empresas do ramo ao apontar um rumo que pode responder a uma das perguntas mais velhas da internet: como ganhar dinheiro com isso?

O pessoal da maçã anunciou no início de fevereiro o tão aguardado The Daily, jornal feito em parceria com o grupo de Rupert Murdoch exclusivamente para iPad. Se tecnologicamente, o invento não teve lá nenhuma grande novidade, o lançameto trouxe junto o tão aguardado sistema de assinaturas da Apple Store. Através dele, você poderá assinar o Daily por um valor mensal, semanal etc fixo e, assim, terá acesso às edições que quiser sem precisar comprar edições diarimente. Esse recurso permite que as empresas premiem os seus clientes mais regulares, oferecendo descontos aos assinantes. Para se ter uma ideia, o The Daily pode ser comprado através de assinturas de US$ 1 semanais ou US$ 40 anuais.

Claro que a Apple não fez isso apenas para o bem dos jornais. Ela fica com 30% dos valores cobrados nessas assinaturas, valor que corresponde à comodidade que ela gera aos donos de jornais, que não precisam criar os seus próprios sistemas de cobrança. Faz sentido enquanto o volume de assinaturas é pequeno a ponto de não compensar o investimento em grandes sistemas de cobrança e gestão de cadastros. Mas… provavelmente esse valor não vai durar muito tempo caso o modelo de confirme rentável. E o motivo é matemático: chega uma hora que valerá mais a pena gastar um valor x no desenvolvimento e manutenção do sistema do que passar adiante 30% da sua receita.

E é justamente em cima dessa ferida que surge a outra novidade do mercado de venda de conteúdo: um dia após a chegada do sistema de assinaturas da Apple Store, o Google anunciou a sua versão turbinada da maneira de se fazer dinheiro com jornalismo: trata-se do Google One Pass, um sistema de cobrança por conteúdo que permite diversos modelos de negócios. Por exemplo, os jornais vão poder oferecer uma parte de seu conteúdo gratuitamente, cobrando apenas por áreas e textos específicos (modelo freemium), ou poderão fazer a gestão de assinaturas do modo convencional ou ainda incluir acesso a livre àqueles que já fazem parte da sua base de cadastrados.  Ficou bom assim?

Hoje, a grande vantagem da Apple é a quantidade de usuários que já possuem iPads, muito maior dos que utilizam tablets equipados a Android. A questão é que, a longo prazo, esse cenário tende a mudar. Para se ter uma ideia, hoje nos EUA, já se vende mais celulares com o sistema Android que o iPhone. Isso se explica pelo fato de haver vários fabricantes utilizando o sistema operacional do Google, situação muito parecida com o atual mercado de tablets, em que concorrentes do iPad brotam em cada esquina, muitos deles devidamente “Androidizados”. Além disso, uma vez que ofereça vantagens a jornais, revistas e demais publicações, parece natural que, aos poucos, estas empresas olhem com cada vez mais carinho para esta alternativa.

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