É direito de todo blogueiro atrasado retomar assuntos queforam destaque no longo período de abstinência de posts.
Lei 12345a – Constituição Tableteira
No meu longo período sem posts, um dos assuntos que vi pipocarem e que me deu mais vontade de opinar foi a já velha e chata história sobre a obrigatoriedade do diploma de jornalismo. Fiquei surpreso com a quantidade de pessoas que acreditam que o diploma garante a qualidade dos nossos bravos jornalistas. É comum, por exemplo, usar essa questão como forma de criticar uma matéria: “Vão acabar com o diploma, dá no que dá”.
Mas talvez não seja bem assim. Primeiramente, porque diploma não garante lá muita coisa em nenhuma carreira. As próprias empresas parecem não dar muito valor a isso, quando impões a seus estagiários cargas horários que tornam a vida de qualquer estudante dedicado um bocado mais difíceis.
Mesmo o conteúdo ensinado em sala de aula pode não ser aquilo que realmente ajude na cerreira de um bom jornalista. Não vejo muita gente falando sobre aulas sérias de mídias digitais, mídias sociais, gestão e outros assuntos relevantes para os jornalistas. Muito menos debates sobre a vida do jornalista além das redações. Será que um cara que pode virar um editor ou um profissional de produto no futuro não deveria aprender minimamente como funcionam métricas? Aprender algo pelo menos básico sobre metodologia de gestão e empreendedorismo? Será que aprender a escrever um lide e gravar um off basta? Redes Sociais não deveriam ser uma cadeira mais valorizada nas universidades? Será que estamos discutindo a coisa certa? O que faz mais sentido? Debater a obrigatoriedade do diploma ou que diploma esses jovens jornalistas estão construindo ao longo de quatro anos?
Por mais que possam aprender sobre esses temas em cursos de extensão, eventos e pós-graduações, deveria ser a faculdade um local essencialmente de debate e reflexão sobre assuntos que estão tão presentes no dia a dia de um jornalista. E quando eu vejo um cara dizendo que a matéria está mal escrita ou contém um erro de digitação porque o autor não tem diploma, vejo que a discussão ainda é rasa demais.
Que fique claro: não acho que as faculdades de jornalismo devem acabar. Acho apenas que não precisam ser obrigatórios e que os cursos precisam ser revistos, de olho não apenas no mercado de trabalho, mas especialmente no momento especial que vivemos, sobretudo no ramo de comunicação. Se as faculdades não forem obrigatórias, talvez deixemos de ter essa busca desenfreada pelos bancos de estudo para passarmos a ter pessoas dispostas a entender esse meio de comunicação e debater os assuntos mais pertinentes. E quem entender melhor esse meio tende a se destacar no mercado de trabalho. Não porque passaram por um ritual de obrigação, mas porque correram atrás disso.
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